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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Estrada Longa

  1. A quantidade de dias para chegar ao destino eu não sei. O pensamento é vasto, imperfeito. E ouvi de alguém muito sábio que eu deveria tomar a direção dessa minha vida sem mim. Eu não conheço atalhos, mapas ou respostas. Estou sozinha. Andei por alguns desses caminhos, de fato. Parei o carro e desci. A estrada ainda está lá. Nem adianta programar o GPS E ouvi também que eu deveria saber o que quero. Passei tanto tempo achando que o que não quero fosse mais importante. E não soube responder o contrário. Lá vou eu reunir essas coisas espalhadas, chamadas de bagagem. Colocar as malas no carro que não tenho. Vou errar o itinerário por mais vezes, porém a estrada é longa. Sinto falta de ficar no banco de trás apontando para a paisagem, para as vaquinhas no pasto e para o pôr-do-sol. Queria colocar o rosto para fora, sentir o vento. Aquele foi outro momento. Poderia se repetir? Talvez não. Alguma inocência ficou para trás entre curvas e quilômetros rodados. Eu não sei o que encontrarei ao fim. Eu não sei se chegarei ao fim. Entretanto ouvi que deveria saber o que quero e concordo. Ainda que eu mude de ideia, de rota, de casa, de cidade. Saber o que quero. Uma jornada e tanto.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Choro represado


Destrói-se o dique afinal
Rasga o grito
Calado e mal murmurado
Todos estes anos enfim
No pranto que não chorei
Na força que resgatei
Em cada fibra de amor
Nos meus momentos de dor
Teu rosto pálido sem cor
Teus cabelos negros
Tão cansados
Teus olhos cerrados
Bonito, tão bonito, ainda
No teu traje de passear
Tua vaidade simplista
Teu bom gosto natural
Não mais sorrisos
Não mais chistes
Nem abraços, com calor
Nem beijos tão desejados
Nem corpos em cobertor
Na união do desejo
Na realização do amor
O frio do inverno te agasalha
O fogo do inferno me mata
Na saudade dolorida
Maior que toda minha vida
Dos momentos
Companheiros
E da minha garganta cerrada
Do meu sentimento trancado
No dique arrebentado
Nas lágrimas que te banham
O meu grito ecoa além

Volta!

Márcia F Vilarinhos

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Meu Irmão

Quando criança
sentiamos a cumplicidade no olhar
as brincadeiras
as broncas
No sentar para comer
as fantasias próprias sa idade.
Horas de cochicho na cama
até pegar no sono.
Fomos crescendo
junto, o peso da responsabilidade
o distanciamento
outros quereres
planos que se traçam
e se frustram
sonhos que ficam perdidos na memória
Olhar longe
com receio de cruzar os olhares.
Se perdendo no muito em fazer.
Que o meu entardecer
seja o seu amanhecer,
só que esse sol é o mesmo
eu sou o mesmo.
Toda vez que ver uma rosa
saiba que ela simboliza o amor
meu irmão que sinto por você.
Quando sentir uma brisa leve
sou eu a te abraçar
Ao olhar pro mar
ele estiver revolto
é a saudade dentro do meu peito.
A distância é um detalhe.
O pulsar do coração
é a esperança de alcançar o sucesso.
A chegada é a alegria
de ver um irmão a casa retornar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Velho (Chico Buarque 1968)

O velho sem conselhos

De joelhos
De partida
Carrega com certeza

Todo o peso

Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor

A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira

Que ele não brincou

Me diga agora
O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar

O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo

Sem rival

Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me diz que sempre se escondeu

Não se comprometeu

Nem nunca se entregou

E diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora

Vai-se embora

Sem bagagem

Não se sabe pra que veio

Foi passeio

Foi Passagem

Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me é franco

Mostra um verso manco

De um caderno em branco

Que já se fechou

Me diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar

Não

Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Velho (Chico Buarque-1968)

O velho sem conselhos

De joelhos
De partida
Carrega com certeza

Todo o peso

Da sua vida
Então eu lhe pergunto pelo amor

A vida inteira, diz que se guardou
Do carnaval, da brincadeira

Que ele não brincou

Me diga agora
O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
Só a caminhada
Longa, pra nenhum lugar

O velho de partida
Deixa a vida
Sem saudades
Sem dívidas, sem saldo

Sem rival

Ou amizade
Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me diz que sempre se escondeu

Não se comprometeu

Nem nunca se entregou

E diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar
Nada
E eu vejo a triste estrada
Onde um dia eu vou parar

O velho vai-se agora

Vai-se embora

Sem bagagem

Não se sabe pra que veio

Foi passeio

Foi Passagem

Então eu lhe pergunto pelo amor

Ele me é franco

Mostra um verso manco

De um caderno em branco

Que já se fechou

Me diga agora

O que é que eu digo ao povo

O que é que tem de novo

Pra deixar

Não

Foi tudo escrito em vão
E eu lhe peço perdão
Mas não vou lastimar

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Lágrimas

Cada lágrima que deitas é sentida por mim,
Cada instante que aproveitas antes de vir o fim,
Eu estarei cá para cumprir a minha promessa,
Por favor tu nunca vivas à pressa.

Elas vão tão rápido que eu não as ultrapasso,
Lágrimas de pedra, lágrimas de aço,
Congeladas e fumadas para a dor,
Quem terá sido o seu professor.

O coração, o famoso órgão da lição,
Parece que esta vida é em vão,
Vida é vida, ninguém está ausente,
Mas a tua perspectiva é tipo a de um cliente
Habitual, será que isto é natural?
Ou és forte demais para seres sentimental?

Sou filho da tempestade e tenho o céu como telhado,
Chamam-me maluco mas eu já estou habituado!

São lagrimas!

II

Desde a hora zero que é isto que eu espero,
Fazer com gosto tudo aquilo que eu quero.
Se tens o que basta, o necessário,
Então pára de te esconderes no armário.

Uma lágrima por cada bala,
Uma lágrima por quem já não fala.
Tens medo de alturas não ligues às vertigens,
E porque é que já não dão valor às origens?

Não podes fugir, não podes esconder,
Não podes fingir que é este o teu poder.
Poder da tentativa, visão subjectiva,
E as lágrimas encontram-se todas à deriva!

Queres a verdade? então vou ser franco,
o arco-íris que eu vejo é a preto e branco!
Para ultrapassar é preciso coragem,
Sempre na expectativa de uma nova paisagem.

São lagrimas!

III

Quem me dera ver agora um sorriso,
Porque lágrimas eu agora já não preciso,
Nem economizo todas as minhas tristezas,
Não ligues á represália, porque as mágoas já tão presas.

Conspirações, manipulações sem perdões,
Tanta coisa que acontece e causa transformações.
Surge a mudança, a pessoa nova,
Pessoa nova uma ova, porque esta pessoa vai Comigo para a cova.

Que a tua alma pega em ti e dá-te uma sova, Porque ela não te aprova,
Eu sou a prova, já sou como sou à muitos anos,
O ego é o maior causador dos nossos danos.

Nós somos humanos, castigámos e inventamos,
E perdemos mais do que aquilo que damos!!!

São lagrimas! hacs

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Um abraço diz muitas coisas


Abraços são dados de muitas formas
e com diferentes significados.
Têm abraços que dizem:
“Fico muito contente com a sua amizade...”

Existem abraços que expressam o orgulho
que se sente por alguém especial!...
Também há abraços que dizem:
“Não existe ninguém no mundo igual a você...”
Há abraços doces e ternos
que são dados em momentos de tristeza...
Com um abraço também podemos dizer:
'Sinto muito',
quando alguém está passando por um momento difícil...
Há abraços que damos, para dizer:
'Que bom que você veio',
e outros que dizem:
'Sentirei sua falta quando você estiver longe de mim...'
E não faltam esses abraços perfeitos para fazer as pazes...
E os abraços cheios de carinho,
que nascem do coração...
Como você vê,
existem abraços para diferentes ocasiões;
abraços rápidos e abraços demorados,
um para cada razão...
Porém, de todos os abraços,
o mais carinhoso é aquele que diz:
'Você está sempre no meu pensamento
porque eu te quero muito Bem”.


E sempre será assim!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A Abelha e a Flor

Ide pois aos vossos campos e pomares,
e lá aprendereis que o prazer da abelha
é de sugar o mel da flor,
mas que o prazer da flor
é de entregar o mel à abelha.

Pois, para a abelha,
uma flor é uma fonte de vida.
E para a flor
uma abelha é mensageira do amor.

E para ambas,
a abelha e a flor,
dar e receber o prazer
é uma necessidade e um êxtase.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Metade (Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

sábado, 22 de novembro de 2008

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.

Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.

E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí.

E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar.

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os.

sábado, 11 de outubro de 2008

Réquiem ao Poeta Russo (por kkampus)


Era um dia nublado em outubro, caía uma chuva fina como hoje;tinha saído cedo de casa para ir ao Hospital, passar visita.Ainda um pouco sonolento, pois tinha durmido tarde, após o aniversario de Helen ( minha irmã). Liguei o rádio, estava tocando uma música da Legião, e logo após passar o viaduto da Casa do Trabalhador, o choque_ o anúncio da morte do Renato Russo; peguei o celular e liguei pros meus irmaos e pra minha esposa. Depois, passei a tarde ouvindo as músicas, velando Renato, numa tristeza de fã. Desabafei na minha maneira, com minhas palavras_(Requiem ao Poeta Russo).
Viva Legião!
Renato Russo vive!
é a prova que a existência é muito maior que se imagina.
"os bons morrem cedo"
PS. Acho que muitos sabem exatamente, como eu, onde estavam nesse dia.

Réquiem ao Poeta Russo (K.Kampus.)

Quem me dera ao menos uma vez
Ter visto teu canto
Tua dança, tuas piruetas
E tu vais repentino, cedo
Como teus versos quebrados
No limite extremo dum trocadilho
Ainda sinto o gosto amargo
A ressaca da tua morte
Esse veneno que nos tragou lento
Levou-te jovem
Escuto as canções
Sopram ventos do litoral
Precisamos nos cuidar
E quem mais dirá
O que se queria dizer
Sem a pretensão de querer aprovar
Quem falará dos casos simples da vida?
Parece vício louco
Mas é só tristeza
E meu filho (Que no fim terá nome de santo)
Ouvirá a Legião
Parece que chegará dias, noites
Tantas vezes ferozes
Dotadas de um mal
Que tentamos curas
Estamos reticentes, distraídos
Ainda é cedo, tu ires
Mas porque há tempos
Que os jovens adoecem?
Meu violão
Uns acordes desafinados
Agora num quebranto de dor
Vibram notas vazias
A poesia, a musica
Vagam pelos litorais
A ira dos deuses do silencio
Mudaram as estações
E como falar dessa saudade
De quem não vi?
É sina de românticos
Tu viajas sobre flores, lírios
Girassóis, hortênsias
Não estás só!

sábado, 27 de setembro de 2008

Metade (Poesia)

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Oswaldo Montenegro

domingo, 10 de agosto de 2008

De silêncio em silêncio (por Júlio S)

de silêncio em silêncioos barulhos passam diante do meu nariz, diante do teu nariz, invadem as nossas rugas, rasgam as nossas varizes, abrem talhos na madrugada, deixam rastros de sangue. De silêncio em silêncio os barulhos acordam os sonhos que não sonhamos. Na mesa falta comida, na cama falta carinho, no bolso falta dinheiro, na cara falta vergonha. De silêncio em silêncio os barulhos emprestam o estampido das suas armas o estrondo das suas bombas, o estalo de ossos quebrados, os estranhos olhos que assistem a passagem dos nossos enterros. Assim de silêncio em silêncio cruzamos os nossos braços e já que estamos mortos, esquecemos mais uma vez que é preciso fazer barulho