segunda-feira, 5 de julho de 2010

Um sonho que se precisa ter.


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Um sonho que se precisa ter.

Ontem no fim do dia recebi uma noticia triste do falecimento de uma criança menor de 2 anos, filho de um amigo. Ao ver aquele pai debruçado, em lagrimas, sobre aquele que já não estava mais ali, veio todo um questionamento sobre a vida, sobre o porque das coisas serem assim; de uma certa maneira , não aceito a resignação de que isso é projeto de Deus. Até dois dias atrás, em uma conversa calorosa com uns colegas de trabalho, discutíamos sobre as injustiças humanas e o silencio dos deuses, pra não blasfemar contra o Deus católico. Ao deitar fiquei matutando se deveria escrever sobre essa dor de perder um filho, um anjo ainda, e assim compartilhar um pouco desse sofrimento desse pai. Mas a maturidade, esta razão soberana, acaba por te trancar as palavras, frear teus pensamentos. O sono chegou e dormi.
Um sonho, dificilmente pode ser contado em todos os detalhes, pois nem tudo é lembrado ao despertar. Contá-lo e talvez expô-lo na gaveta secreta dos meus escritos (o blog parafernáliasepalavras) não me parece novidade, mas não sei se serviria pra função desta mídia, que me parece de um caráter mais universal. Mas ei-lo:
Estávamos numa sala de aula, nossos velhos e bons amigos do Santa Teresa, tínhamos a nossa tão gostosa adolescência, plena de amores, plena de incertezas,um tanto enorme de olhares trocados, muitas juras de amor silenciosas. A aula corria naquela tradicional algazarra, uma parte prestava atenção e outros faziam planos de grupo, como se aquele espaço tudo fosse permitido. Eu imagino que os professores devem ser dotados de extrema paciência, pois reconheço que nunca fomos fáceis. nossas conversas eram prioritárias, de uma urgência sem trégua.
Terminou a aula e puxo Flávia pelo braço. Como se lhe contasse um segredo , bem perto do seu ouvido digo: “não sei viver sem suas presenças”. Me parece que o “suas” representava  naquele instante, todos.
Depois já me vi numa estrada, com alguém dirigindo, que não me lembro quem era. Falávamos somente sobre transito.
Tive um encontro , com uma garota, que juro (de pé junto) que não sei quem era, num jardim, perto da escola. Falei dos meus sentimentos para com ela e dali já éramos namorados.
Depois já estava numa piscina. Atirei-me na água com uma energia rara de ter experimentado; me sentia novo, via cor e prazer em tudo que estava ao meu redor; diria que estava muito feliz. Brincamos de bola dentro da piscina. Depois subi em cima de uma bóia e fiquei rodopiando na água. Sai da água e encontrei Tânia. Denunciei o meu bem-estar, o quanto estava me sentindo bem, ela disse “o amor faz isso”. Falei ainda que lembrei dela ao ouvir uma musica do Paulinho Pedra Azul; apesar da presença ao lado de um cantor maranhense, começamos a cantarolar: no céu entre as estrelas, vou cantando ...e a Terra vai formando um coração...Palavras são tão poucos pra dizer... Que estou vagando assim só por amor. Me atirei novamente na piscina e fui vendo a tarde ir caindo. Era então noite e sei que fui pra uma casa onde todos estavam. Nada mais lembro.
Acordei, e o dia amanhecia. Vi da janela do meu quarto um laranja dourando nuvens no horizonte; tentei fotografar, mas as pilhas estavam descarregadas. Peguei o computador e vim redigir essa experiência onírica, aproveitando dessas horas mortas.
Qual o significado do sonho? Não sei! Talvez fosse pra me devolver uma felicidade, no meio da angústia diante do sofrer do outro. Mas na verdade qualquer tradução seria especulação. Acho que amigos são importantes. Precisamos descobrir onde está a energia (essa de amores juvenis) que colore as coisas. Parece que está no despertar , na valorização de tudo que se tem. Não podemos perder as horas. Bom dia! Vou tomar café, aproveitar aromas, dar um beijo na Fernanda, espiar minhas filhas dormindo.
Obrigado Henrique, pela gaveta do parafernálias e por você entender os sonhos de um poeta quase triste.

K.Kampus