sábado, 3 de julho de 2010

O despontar do mérito. (Por Wesley Campos) Kkampus)


Quem não foi do tempo, que procure vê algum jogo da Holanda da copa de 74. Um futebol inovador, de técnica, tática e arte, comandado por Cruiff, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Infelizmente esta seleção perdeu a final para a Alemanha de Beckenbauer, outro gigante que ficou na história. Em 78, a mesma seleção esbarrou na Argentina de Mario Kempes, embalado pela torcida inflamada,em tempos de ditadura explícita, e mais um vice campeonato.  Em 94 e 2006 mais dois bons times holandeses, foram às semi-finais ,mas esbarraram no Brasil.


Mesmo não sendo campeões mundiais, a Holanda é sempre um time temido, com características ofensivas, de refinado toque de bola, com uma postura tática exemplar.


Brasil de 2010, seleção antípoda do futebol arte, comandada pelo que de mais ruim se produziu em nosso futebol (a pejorativa “era Dunga”) , com dias contados em cada jogo, representando a involução do nosso futebol, contrariando os anseios do clamor nacional ao abdicar de nossos craques (Ronaldinho, Ganso e Nilmar), mergulhando-nos na contradição de ganhar sem sermos felizes. Isso não podia ir longe, não deveria ir longe, em honra da nossa índole de futebol talentoso.


Agora ouço o que uns pouco denunciávamos, a falta de criatividade, os gargalos de um time retranqueiro, a falta de um toque de genialidade. Quão pobre esta Copa ficou sem Ronaldinho, sem seus dribles mágicos, sem seu sorriso maroto desafiando a Jabulani! Nosso lamento me parece mais encorpado, quando a paixão de torcedor não mais se sustenta no pragmático resultado da vitoria. Vitorias medíocres,pífias, de poucos melhores momentos, apenas com o selo de ultrapassar o adversário, sem a doce sensação de saborear as jogadas.


Hoje a tristeza é passageira, pois era inegável que a Holanda era melhor time , e se caíssemos na outra chave iríamos cair pela Espanha ou Alemanha. Convenhamos , essa seleção não era boa, não jogava bem, tinha um banco ruim, tinha uma arrogância típica daqueles que não tem talento.


Na manha do jogo, o amigo Henrique encontrava-se ansioso, com certeza , pela sua astucia, já prevendo um resultado negativo. O que poderia dizer senão o óbvio: ao perdermos, perderemos para a melhor seleção, Que a Holanda ratifique seu favoritismo e que seja coroada com a taça que por tantas vezes já lhe escapou. Ë hora de vencer por mérito, com a arte de verdadeiros craques, com um belo gol do xará Sneidjer.


Ao Dunga e seus enjaulados, o esquecimento precoce lhes dará consolo. Ainda bem que perdemos, assim vocês não serão lembrados como uma das piores seleções do Brasil que venceram, igual àquela de 94.