quarta-feira, 25 de março de 2009

Tiago, amor meu...


25 de março de 1988, sexta feira. São 16.45h, depois de um dia estressante dentro de uma agência do Banco do Brasil em Pedreiras, finalmente aparece aquele ônibus marrom, meu Lexotan de todas as sextas. Venho para São Luís para ver as pessoas que amo. Todas aquelas sextas feiras eram sempre assim, parecia que aquelas três horas não passavam, mas meu pensamento chegava antes e eu podia me ver diante das pessoas que me aguardavam. Mas naquele dia 25 foi diferente. Meu irmão e minha cunhada foram me apanhar na Rodoviária. Você tinha nascido. A notícia foi mais ou menos assim: " Teu filho nasceu", eu perguntava: E o que é?, meu irmão só dizia: "É". Com a melhor das intenções me torturava de ansiedade, até confirmar é um menino, chorei. Meu irmão se prontificou a emprestar-me aquele fusquinha azul, eu aceitei. Rumei via ponte nova para o hospital Português. No Jaracati o fusquinha, filho da mãe, pregou. Eu ali sem saber o que fazer, fumava desesperadamente, então surge um amigo Kennedy, que rapidamente arrumou o coração do Fusca. Corri para o Hospital, corri pra te ver, filho meu. Fiquei atônito a te contemplar. Vi que ja vieste com nome. Tiago irmão de Jesus. Hoje meu filho és tudo para mim, juntamente com seu irmãozinho. É em vocês que penso nas horas alegres, nas horas tristes e em todas as horas. És um artista. Ser artista não é fácil. És simples, humilde, talentoso e seguidor dos ensimentos de Deus. Amo-te por demais, torço por você. Só lamento ser como todos os outros pais, para os quais os filhos não crescem. Sei que não precisas de minhas asas, mas não me proíba de tê-las. Deixe que eu regue a ilusão de que você é meu. Isso é comum nos Paitológicos. Quero que não se canse nunca de correr atrás de seus sonhos, que nunca se canse de ninguém, e que dedique muito amor ao seu irmão querido e a sua mãe, pois eles te amam muito. Um beijo, amor meu. Deus te abençoe... hacs