segunda-feira, 22 de setembro de 2008

MANIFESTO (Por kkampus)


Recebi esse email do kkampus, que é o pseudônimo do Wesley, e foi inegavelmente o presente exagerado mais lindo, mais puro, mais tocante, mais amoroso, fraterno que já recebi em toda a minha vida. Agora, talvez eu saiba responder para que servem as lágrimas. Amo pessoas assim do seu jeito meu amigo. Que Deus te abençoe.

Segue o texto:

Em algum livro , que não quero procurar , fala-me da saudade da infância. A verdade é que sou um saudosista declarado, e me orgulho das minhas doces lembranças:
Era um tempo de mudança, saíra do meu antigo colégio, de uma certa maneira, contra minha vontade, pois minha mãe achava melhor ter meus irmãos sobre vigilância, visto que minha irmã mais velha trabalhava no novo colégio.
Ao chegar na entrevista de admissão na escola, tive a grata surpresa de encontrar com Sérgio, amigo do antigo colégio, que também estava sendo trocado de escola, por motivo semelhante, só que no caso dele , ele era o vigiado.
Nós éramos da segunda turma de meninos, num colégio que até dois anos antes só estudava meninas. De qualquer maneira começamos naquele ambiente quase hostil, diferente, muito pouco atraente para alguém extremamente tímido como eu.
No tempo, logo descobri, que o carinha da escola era um menino alto, moreno, esguio, com um sinal logo acima do lábio, que levava as meninas a sonhar. Seu irmão um pouco mais forte, igual ao meu mais velho, também gozava de prestígio e fama_ de bonitão.
Eu, que não me achava lindo, pela timidez me reservava a função de dedicar aos livros, e também gostava de jogar futebol.
Fomos avançando e no científico, já havia vários meninos na escola.e a distancia natural, entre os meninos e meninas, cedia espaço a pequenos flertes. Mas na sala havia uma distinção, os meninos sentavam atrás, correspondendo à bagunça e as meninas na frente, principalmente as cdf’s . Nesse período houve um despertar para a poesia, e assim os primeiros escritos surgiram , tímidos , com um cunho bucólico e sentimental.Lembro que o Charles e Flávio também escreviam. Iniciamos um jornal, que se colava ao lado do quadro negro, onde publicávamos opiniões , poemas e músicas. O jornal acabou um dia numa reunião com a temida diretora, Irma Câmara, tudo por uma brincadeira onde associávamos personagens da televisão aos professores. Uma professora não gostou de ser associada a um personagem obeso do Jô Soares e aí deu a maior confusão; o pior é que na hora do enfrentamento, o autor da brincadeira(aquele carinha ) ficou sozinho e queria que todos assumissem a culpa; para amenizar decidimos em conjunto pedir desculpas formais a diretoria, pois éramos co-responsáveis pela brincadeira. Saímos fortalecidos pela atitude , mas o jornal acabara ali.
Veio a turma 23, e o jornal ressuscita, ali formamos um grupo forte, de brincadeiras e vivencia. O jornal voltou, mais legal, com a contribuição de Flavinho de Açúcar, Jadiel e outros. Dali foi um pulo pro último ano, quando por experiência acumulada, assumimos “o telex”, jornal do centro cívico que fora herdado de Merval (meu primo) , depois Kátia Lobão, Zé Branco, Winston (meu irmão) e Beto (irmão de Neuza, nossa colega).
Lembram do carinha bonitão? Pois é continuava, se gabava que tinha namorada, só queria ser! Mas a gente não rivalizava, ele era do nosso grupo, assim como Sapo-sunga, Fumaça, Flavinho de açúcar, Jonas. Não vou falar dos apelidos que remetia aos nomes das mães de cada um (rsss...)
Terminamos o colégio..A vida virou verdade! Como dizia Jorge Borges. Então cada um seguiu seu rumo, uns mantiveram a amizade, outros mantiveram-se distantes.
Fizemos um grupo, treze anos após o término da escola , quando nos reencontramos, quando voltei dos estudos em outro estado. Esse grupo vem crescendo, agregando pessoas, revivendo a adolescência, acreditando ainda no sonho.Fazemos reuniões memoráveis, acrescentando mais lenha à fogueira do saudosismo.
Lembram novamente do menino que era o cara? Pois é o cara cresceu , virou tímido , mas ficou mais belo ainda; é um dos caras mais legais que conheço, dotado de uma sensibilidade incrível e de um bem-querer sem limites. É um dos amigos que se quer sempre estar perto , que te coloca sempre pra cima, uma pessoa de coração imenso. Diria, parodiando Caetano Veloso, que o cara ” é como uma pedra no meio do mar , a primeira vez que se vê , se ama logo”. Na verdade ele é um grande artista, que desconhece suas potencialidades. É preciso perseverar, lembra?!
Posso usar essa pequena história, como um manifesto em sua homenagem, e tenho certeza será assinado por todos que o conhecem.
Por fim , gostaria de te dizer Henrique, que é uma grande honra ser seu amigo e parceiro no projeto de transformação do mundo, ao compartilharmos uma visão mais solidária, com valores mais altruístas, mesmo nadando contra a maré da desventura humana. Que Deus te dê uma vida longa e plena para ti e tua família! E mais uma vez agradeço pela tua presença fundamental na vida de teus amigos.

K.Kampus

Primavera de 2008.