domingo, 10 de agosto de 2008

De silêncio em silêncio (por Júlio S)

de silêncio em silêncioos barulhos passam diante do meu nariz, diante do teu nariz, invadem as nossas rugas, rasgam as nossas varizes, abrem talhos na madrugada, deixam rastros de sangue. De silêncio em silêncio os barulhos acordam os sonhos que não sonhamos. Na mesa falta comida, na cama falta carinho, no bolso falta dinheiro, na cara falta vergonha. De silêncio em silêncio os barulhos emprestam o estampido das suas armas o estrondo das suas bombas, o estalo de ossos quebrados, os estranhos olhos que assistem a passagem dos nossos enterros. Assim de silêncio em silêncio cruzamos os nossos braços e já que estamos mortos, esquecemos mais uma vez que é preciso fazer barulho