terça-feira, 24 de julho de 2007

Quando o medo é maior que o amor


Se o objetivo da relação amorosa é nos deixar felizes por que, dificilmente, as pessoas conseguem se relacionar de forma satisfatória? Para a sexóloga Regina Navarro Lins, “a culpa é da convivência diária, da idealização do relacionamento, das expectativas que não se cumprem, já que o cotidiano é uma prova difícil para o amor”.O psicanalista Alberto Goldim acredita que o sucesso da relação vai depender do nível de criatividade dos parceiros. “Para que o relacionamento amoroso seja uma experiência enriquecedora, é preciso ter uma vida plena consigo mesmo, resolver suas fraquezas e seus medos”. Se a realização amorosa é uma busca, muita gente permanece num relacionamento insatisfatório sem se dar conta do que faz.Essas pessoas, mesmo quando pressentem que o amor está por um fio, investem esforço e energia para manter o frágil equilíbrio entre os parceiros. Em vez de parar para perceberem se há chances de recuperar os sentimentos positivos do começo, entram em pânico diante da idéia de terminar a relação.A causa desse comportamento pode ser atribuída, em grande parte, ao medo generalizado que envolve as relações amorosas. É comum encontrar pessoas que permanecem num relacionamento por medo de olhar a vida de frente. Sintomas de baixa auto-estima e outras dificuldades emocionais que podem estar ocupando o lugar do amor:Medo de sentir-se inferior – é comum encontrar pessoas que decidem ficar ao lado de alguém apenas para cumprir o que imaginam ser o que se espera delas. Querem, a todo custo, evitar os riscos de permanecer no rol dos solteiros, como se o fato de não engrenar numa relação fosse sinônimo de incompetência amorosa. Evitam a todo custo passar por incapazes ou encalhados aos olhos das outras pessoas Por isso, preferem juntar as escovas-de-dente, mesmo sem muita convicção, a passar pelo desconforto de serem cobrados(as) pela família e pelos amigos. Caindo na real - pessoas que agem assim, não percebem que são vítimas dos próprios preconceitos. Estão, na verdade, projetando nos outros as crenças limitantes que assimilaram. Entrar numa relação que não traz felicidade é tornar-se responsável pelo próprio sofrimento. Trabalhar a auto-estima, reavaliar o grupo de amigos e desenvolver a consciência de é preciso sentir-se bem consigo mesmo(a) antes de estar numa relação, pode ajudar a mudar esse quadro.Medo de solidão – desde a infância aprende-se que a solidão é um castigo e que viver só deve ser evitado a todo custo. A mídia explora esse conceito que acaba entrando no inconsciente das pessoas. Estar ao lado de alguém passa a ser o objetivo, e não a conseqüência do encontro amoroso, impossibilitando a verdadeira independência emocional. Caindo na real - a questão é que, embora quase todos temam a solidão, a vida a dois não é garantia contra a sensação de estar só. Não basta estar acompanhado(a). Pior do que ser sozinho(a), é sentir solidão a dois. Pessoas que não têm muito em comum acabam sem ter o que dizer uma para a outra, correndo o risco de se verem presas a compromissos familiares. É preciso ter coragem para viver com autonomia. Desta forma, estar livre e disponível para o momento em que o verdadeiro encontro amoroso acontecer.Medo de encarar a verdade – existem aqueles que preferem tapar o sol com a peneira, optando por fingir que tudo está bem, mesmo quando a situação está insuportável. Esse comportamento é típico de quem se recusa a agir de forma adulta. Muitas pessoas preferem fazer de conta que a ausência de harmonia e prazer faz parte da rotina, desistindo assim dos seus sonhos. Tudo por medo de enfrentar o desconforto de se confrontar com a verdade. Caindo na real- quando a convivência não acontece num clima de amor e alegria, envolvendo o desejo de compartilhar com o(a) parceiro(a) sentimentos, dificuldades, objetivos pessoais, algo não vai bem. É preciso que ambos se disponham a deixar que a verdade suba à tona. Não se trata de buscar culpados ou lamentar erros passados. É preciso estar consciente de que só um relacionamento fundamentado na verdade poderá crescer e alimentar corações. Medo de não sobreviver sem(a) parceiro(a) – a carência e a falta de auto-estima fazem com que algumas pessoas acreditem que não irão sobreviver se o relacionamento acabar. Embora o medo do desconhecido seja normal, muita gente se deixa paralisar por fantasias de desamparo e perigo, como se não tivessem competência para cuida de si próprias. Quanto menos alguém se valoriza, maior a tendência em projetar no outro a segurança que precisa para viver. Isso pode manter relacionamentos insatisfatórios que consomem a energia dos parceiros sem perspectiva de felicidade.Caindo na real - É importante se dar conta que cada um de nós é responsável pela própria vida. A segurança é algo interno e ninguém poderá fazer com que você fique bem, se não estiver bem consigo próprio(a). Quem tem a coragem de enfrentar seus medos recebe a recompensa. Na maior parte das vezes, depois de um período difícil, quem achava que ia morrer passa a curtir a vida novamente, feliz por ter saído de uma relação insatisfatória.Medo de fracassar– para muitos, terminar um relacionamento amoroso provoca uma sensação de fracasso, como se o final da relação fosse culpa da sua incapacidade de amar. Pessoas que costumam dar muita importância à opinião dos outros, ou que costumam achar que são culpadas por tudo o que acontece, podem ficar num relacionamento sem amor por medo de sentirem-se fracassadas.Caindo na real - O fracasso não existe. O que verificamos na vida são resultados. Dependendo dos resultados que obtemos na vida, temos a tendência de classifica-los como sucessos ou fracassos. Recomeçar sempre, lembrando que cada experiência é um passo a mais em seu processo de amadurecimento emocional. Medo de ter que tomar uma atitude– seja por insegurança, baixa auto-estima ou simplesmente masoquismo, há pessoas que se apavoram com o simples pensamento de que poderão ficar sem o relacionamento com o qual se acostumaram. Elas agem como se fosse preferível suportar qualquer aborrecimento a tomar a iniciativa de terminar a relação. Caindo na real - quem não conhece nem respeita os próprios limites acaba se tornando vítima dos acontecimentos. Quando o(a) parceiro(a) deixa de ser uma presença positiva na sua vida e você se sente ofendido(a) com seu comportamento, é hora de assumir as próprias escolhas. Quem não toma uma atitude acaba se responsabilizando pelo próprio sofrimento.Medo de não ter outra chance- muita gente tem medo de terminar um relacionamento e nunca mais encontrar outro(a) parceiro(a). Por isso, sujeitam-se a viver insatisfatoriamente. Quem age assim, costuma ser do time que acredita que “ruim com ele(a), pior sem ele(a). São pessoas que precisam de um(a) parceiro(a) como uma espécie de comprovação social do seu valor.Caindo na real- da mesma forma que alguém pode projetar no futuro seus medos e incertezas, também pode projetar esperança e realizações para si próprio(a). A vida é uma construção que acontece no tempo presente. Quem se agarra à falsa idéia de segurança está, na verdade, adiando as oportunidades de encontrar alguém com quem possa viver um amor de verdade