quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dias de Chuva (Por Wesley - Kkampus)

Dias de Chuva.

Aurora branca e cinza; chuva torrencial e umas horas infindáveis no transito.

E as coisas pioram, tem sempre um esperto trancando o cruzamento, pois não parou no sinal amarelo do semáforo; um outro furou a fila do retorno, querendo passar por fora; além de motoqueiros que cruzam de repente `a nossa frente.

Passa a chuva e as filas de carro continuam. Também, até pra se ir à padaria, vai-se de carro. Mas como ir a pé, com a falta de calçadas,ou com outras tantas desniveladas? À noite, não há iluminação adequada e não se tem segurança.

Ouço no rádio que um Toyota foi engolido por um grande buraco. Dou graças que a todo momento desvio ou caio em buracos, mas não tão enormes.

Chego enfim no trabalho e fico feliz por tanta gente precisando de mim. Faço o melhor dentro do possível. Mas logo a indignação vem novamente a tona , e descubro que um ser humano estar morrendo de fome porque esta no local errado.Sua filha disse que o Hospital que trata de sua doença só aceita interná-lo se tiver uma comprovação pela biopsia. Meu Deus! Que equívoco! Tentei ligar pra diretora do referido Hospital, mas ninguém atendeu. Quem liga?!

Vou almoçar e no noticiário nacional assisto pela milésima vez como os paladinos da justiça e da democracia, invadiram um país e assassinaram um terrorista.

Mas a opinião prevalente sempre é dos mais fortes. Houve um tempo neste país e em toda América Latina que milhares morreram e desapareceram por uma ditadura fomentada pelo grande irmão do Norte.Mas se isso não foi terrorismo, foi o que? E quem foi pelo menos julgado por isso? Justiças e justiças!

Aliás, hoje entendo porque a justiça é cega. È porque ela tem uma cegueira específica. Só enxerga o que quer enxergar. Pois só assim justifica o assassinato de tanto em acidentes no campo de Perizes. Em qualquer país do mundo alguém já estaria sido responsabilizado pela desprezo pela vida humana, pelo desrespeito do direito de ir e vir. Talvez alguém venha dizer que motoristas são irresponsáveis; sim, também, mas essa estrada de mão dupla, duas pistas estreitas, sem acostamento e com transito intenso é imoral, mata implacavelmente à cada descuido.

Volto novamente à ditadura , que me parece que ainda não acabou; pois ela , só ela, justifica a mordaça, que permite esses dias assim, com a inércia de aceitar a morte como uma banalidade.

Aguardo um dia de sol amanhã, sabendo que os engarrafamentos continuarão; cresceram o numero de carros e as avenidas são as mesmas. E darei novamente graças, por só cair em buracos pequenos.

Kkampus


Eu, Henrique, gostaria tanto de encontrar razões para alterar, retificar, desmentir a sua Crônica. Mas, meu querido amigo Wesley, baixo a cabeça e mudo sigo em frente dizendo não às medalhas das vaidades dos "salvadores da pátria".