quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Raiz da Tragédia por Kkampus)

Estarrecidos. emocionados, todos ficamos , com a tragédia do assassinato de crianças por um atirador, que contrastava do perfil habitual dos atores da violência carioca: Um jovem , tímido, sem antecedentes criminais , muito menos de violência.Então de onde tanto bestialismo, tanta loucura?

Atrevo-me a discursar sobre os fatos, não como autoridade, posto que não sou especialista, mas como gente, como pai, exposto aos infortúnios do tempo, das mazelas de uma sociedade decadente, evoluída em meios técnico-tecnológicos, afundada na perda de seus valores melhores.

Esse menino, franco-atirador, antes de ser um atroz, era vitima, envolto em turbulências mentais, advindas do desamor, da solidão, da doença social dos nossos tempos , do tempo que te engole e te faz herói e bandido, sem que a gente se aperceba.

Na década de sessenta, milhares de americanos foram enviados ao Vietnã, para participar de uma guerra em defesa do capitalismo. Mesmo com toda superioridade bélica, a derrota ,advinda da motivação vietnamita aliada a táticas de guerrilha na selva, levaram os americanos derrotados a sofrerem de uma série de conseqüências advindas daquela década. Se por traumas de guerra ou por conseqüências à exposição a agentes neuro-tóxicos de bombas químicas, desenvolveu-se um padrão típico de violência urbana, onde veteranos de guerra ou familiares, em momentos de puro desvario, atentavam contra civis inocentes. O alarde midiático dessa situação , que transformava esses doentes mentais em celebridades criou ciclos viciosos de alimentação dessas tragédias, ceifando inclusive ídolos como John Lennon e Sharon Tate.

A globalização, com sua maior ferramenta de expansão,o desenvolvimento dos recursos de mídia, promoveu aproximação de culturas e claro, a assimilação da cultura imperialista, premeditadamente imposta. Os benefícios da aproximação entre povos, da melhoria das condições de vida globais são inegáveis. Mas, muito do que era ortodoxo, que eram valores, que tinham ética e tradição, se perderam na lei da selva, do salve-se quem puder, da busca desenfreada pela beleza,pelo lucro, por se dar bem, não importando os meios. Nesse tecido social brilhante e sintético, criou-se a figura do “loser”, do perdedor, e este , sem o abrigo do capital, vira pária, marginal, doente, sem ninguém, sem amor, com o ódio crescente em seu peito;uma arma fácil por adquirir, a revolta indômita , todos os que lhes desprezaram ali , de uma certa maneira felizes, sorrindo.A internet é meu refúgio, lá eu tenho as mulheres nuas, finjo o que não consegui ser, tenho amigos que me respeitam. lá eu aprendo a ter poder. Já sei atirar. Sou quase um Rambo; deixo uma carta de adeus, amanha estarei em toda a mídia do mundo. Tiros, tiros....mortos...me suicido.

Que todos possam no momento enxergar além do sensacionalismo das mídias e vejam que precisamos reinventar o mundo, sem shows televisivos, sem lágrimas disfarçadas...é preciso reinventar a família, o melhor alicerce para uma sociedade melhor.

K.kampus, pseudônimo de Wesley Campos, Médico, Escritor, Músico, Poeta, colaborador deste blog