quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Assim caminha a humanidade

Nos meus quase 46 anos a serem completados em 10/10/10, percebo o quanto sem querer mas forçosamente, fui quase que me adaptando às mudanças das últimas décadas. Poderia dizer que com o advento da informática, muito perdemos, muito ganhamos. Não é fácil dormir com um mundo de informações na nossa sala, não é fácil dormir sem um mundo de informações na nossa sala. Houve uma mudança de comportamento quase que radical de nossa sociedade em decorrência das facilidades de "comunicação" via ferramentas hoje disponibilizadas no mercado e acessível a quase todos nós. Sou adepto de todas essas ferramentas, mas não posso negar que o celular, o notebook com todos os seus programas, os lexotans e antidepressivos da vida, são tudo farinha do mesmo saco. Não há, não haverá educação para o uso de tudo isso com precaução e estabelecimento de limites. Desgraçadamente percebo que quem muito poderia fazer pelo seu próximo, até por ter feito opção outrora por isso, também está ansioso. Numa busca incessante de informações, muitas vezes mais de cunho egoísta, que termina sem ter respondido a quase nada, seguimos dia a dia entrando e saindo do mundo paralelo que nos vicia muito mais a ele distanciando-nos muito mais do que um dia foi mais vida. É antagonico a realidade de nossos dias informatizados (informados) quando confrontados com nossas qualidade de vida. Já não é normal casa sem Ansiolíticos. O tabu da Psiquiatria ainda existe, idiotamente, persiste. Usar ansiolíticos não passou a ser uma coisa normal, não precisou ser derrubado nenhum preconceito. Eles simplesmente vieram, foram propagandeados, surtem efeito e como dizem outros: PEGARAM. Pegaram de tal maneira, que ao chegar numa emergência de algum hospital, o paciente se queixa de enxaqueca, o Médico coça a cabeça e antes de qualquer coisa, prescreve: Ansiolítico. Braço quebrado, ansiolítico. Pra tudo: Ansiolítico. Considerando que o preconceito à Psiquiatria caiu em muito, os médicos Psiquiatras tem sofrido muito mais que antes, visto que os pacientes depois da primeira receita não voltam mais. Ou seja, passam a ser "Médicos" após uma única consulta. Mas vão se aprofundando, e ao final de um ano já escalam um time inteiro dos tarjas pretas e dos tarjas vermelhas. Quando falo em antagonismo, na verdade, quero dizer que mais informações, menos entendimento. Isso certamente não é uma verdade absoluta, é pura observação particular. Pergunte àquela pessoa que entrou as 07.00h da manhã na NET e saiu as 17.00, o que foi que ela fez esse tempo todo. Garanto que ela não lembrará 80% por onde andou. Tirando poucas coisas, eu também estou assim. Mas mais do que tudo isso, o que mais atormenta boa parte de nós todos é sentirmos que não nos escandalizamos mais com quase nada. Talvez por isso fiz questão de citar minha idade. Quem sabe o que escandaliza nossos jovens, com que eles ficam espantados, quais são os seus medos? Ou ainda, será que eles um dia sentirão saudades? Sinceramente, eu não sei. Mas quem sabe a saudade futura será uma bem diferente daquelas ligadas às coisas mais simples que nos trouxeram até aqui. Será mais pobre cheia de vazios por causa de uma calçada com cadeiras que não se ver mais.