sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Entrevista - José de Ribamar R Brandão


José de Ribamar Ribeiro Brandão, ao lançar seu primeiro livro "JOSÉ", abre as portas para quem quiser conhecê-lo ainda mais. talvez sua maneira introspectiva tenha ao longo de sua vida confundido àqueles que pouco o conhecem. Alegre, triste, carrancudo, disciplinado, esportista, amigo leal. Um homem de sucesso sem dúvidas. Depois de várias tentativas, José Brandão, decidiu conceder-me esta entrevista.

P&P - O Senhor em vários momentos se mostra um obstinado naquilo que quer. Estou certo?

Brandão - No livro "JOSÉ" falo sobre esta questão. Na verdade reconheço que sempre entrei de corpo e alma nas coisas que são importantes para mim e para minha família. Hoje, com a idade da razão chegando, estou consciente de que a derrota também faz parte do jõgo. O importante é que tudo aconteça normalmente, sem machucar ninguém.

P&P - O Banco do Brasil, a família e o esporte são citados em seu livro como sua grandes paixões. Isso lhe define como uma pessoa extremamente emocional?

Brandão - Em muitas ocasiões coloquei a emoção bem acima da razão. Era mais jovem e muito imediatista. De um modo geral gosto de tudo que toca profundamente o meu coração. O Banco do Brasil entro na minha vida por um acaso e se tornou permanente; o esporte de um modo geral, principalmente o futebol, jogando ou torcendo é pura emoção; quanto a minha família, a razão e a emoção tornam-se uma coisa só.

P&P - Falando no Banco do Brasil , o Sr. acredita que hoje ele vive o melhor momento de sua história?

Brandão - Em termos de lucratividade, sim. No entanto, sinto falta do Banco quando do início da minha carreira funcional. Ele, realmente, fomentava o desenvolvimento do nosso País. Hoje, segundo leio nos jornais de alguns Estados, a política partidária está dando as cartas no que diz respeito ao preenchimento dos cargos mais importantes da Instituição, o que é uma pena. Os funcionários são pessimamente remunerados e a comunicação é pre. Algo precisa ser revisto.

P&P - Em sua vida, algum sonho ficou pra trás? (Sem contar o desejo de tornar-se Médico)

Brandão - O meu mundo sempre foi muito pequeno e, desse modo, praticamente todos os meus sonhos foram realizados, Talvez se pudéssemos dar uma marcha-ré no tempo, certamente procuraria fazer mais amigos e aprnderia a sorrir com mais frequência.

P&P - O Sr. tem cinco netos, quatro meninos e uma menina. Que papel eles tem em sua vida?

Brandão - O que sinto com relação a meus netos é universal, todos os vovôs do mundo sabem disso. Com a chegada deles pensamos nomuito que deixamos de fazer por nossos filhos. Desse modo, em decorrência de sua grandeza, não posso dimensionar o que sinto e o que representam para mim. No filme da minha vida, certamente, eles são as figuras principais. Minhas filhas dizem que eu deseduco os netinhos.

P&P - A Política foi uma decepção ou uma decisão errada?

Brandão - Quando eu saí candidato a Deputado estadual, em 1994, confesso que estava por fora do que acontecia nos bastidores. A luta é desigual e os novatos ficam sem espaço para conseguir algum sucesso. O povo, principalmente a classe mais carente, está sendo muito imediatista e não querem saber dos projetos que alguns interessados Têm em mente. Ao invés de lutarempor educação, saúde, transporte e emprego, estão mais interessados em coisas fúteis. Sentia que a culpa não era deles e sim de alguns candidatos i9nescrupulosos que querem ganhar o jôgo de qualquer maneira. Urge providências

P&P - Quais seus planos para 2010?

Brandão - Depois do falecimento da minha esposa Lourdinha, tudo está muito esquisito. Os planos e sonhos desapareceram. estou vazio.

P&P - Como o Sr. avalia o governo Lula?

Brandão - Muito embora reconhecendo que o presidente Lula é uma pessoa de bom coração e extremamente inteligente, desaprovo, em parte, o seu governo. O dinheiro fácil deixa as pessoas à mercê de pensamentos negativos. O Programa Bolsa Família, em que pese resolver, em parte, os problemas que afligem os menos favorecidos, deixa-os numa situação passiva. Tenho informações de que milhares de pessoas, com a finalidade de permanecerem no programa, não permitem que os seus empregadores assinem sua carteira de Trabalho, prejudicando-os assustadoramente. algo precisa ser revisto. Ponto positivo para a sua Política Econômica.

P&P - Em sua visão, daria para descrever o que aconteceu no Governo Jackson Lago?

Brandão - O Dr. Jackson lago, como ser humano, é nota 10. Num passado não muito distante, quando ainda estava na ativa no Banco do Brasil, cheguei a fazer parte de seu círculo de amizades. Na ocasião eu acreditava que seu futuro político era bastante promissor. por diversas vezes, quando esteve administrando a nossa cidade (São Luís), ele não teve o cuidado especial quanto à escolha dos seus pares. Em decorrência disso, o seu meio de campo foi embolado e causou-lhe sérios prejuízos políticos. no futuro, espero que ele tenha mais cuidado, pois ele está perdendo o bonde da história.

P&P - (Pra descontrair) - Podemos observar que os torcedores de futebol de hoje em dia, não têm a mesma paixão de outrora. isso se deve as constantes vendas de jogadores, ao fato da péssima administração da CBF, onde nossa Seleção só faz amistosos na Europa. Com o Sr ver essa questão?

Brandão - Quando numa das minha viagens para o Rio de Janeiro, nos anos 1950, o Brasil em termos de futebol estava no seu melhor momento. craques como Garrincha, Nilton santos, Vavá, Zagalo, Amarildo, Beline, orlando e tantos outros monstros desse esporte passeavam naquela cidade como simples mortais. Eram acessíveis aos torcedores. Hoje, só tomamos conhecimento dos craques da nossa seleção por ocasião das eliminatórias para a Copa do Mundo. Os dólares falam mais alto. Acredito qua a nossa seleção deveria ser composta por jogadores que estão atuando em nosso Brasil. Os milionários estrangeiros não entram em bola dividida, causando, dessa forma, um certo desconforto entre os torcedores. É por isso que, cada vez mais, sou vidrado no Vascão.

P&P- Gostaríamos de agradecer sua entrevista e, desejamos muitas realizações