sábado, 4 de julho de 2009

Eu e a diplomacia (Chico Anysio)

Eu nunca poderia ser diplomata. Nunca, mesmo, porque, como o meu querido amigo Ciro Gomes, eu tenho pavio curto.
Não sei se vocês leram, mas um deputado italiano, cujo nome eu não decorei, referindo-se a este triste episódio do tal do Battiste – que deve ser um amigo do peito do Tarso Genro – que recebeu asilo do Brasil, disse, textualmente:
- Nunca eu soube que o Brasil fosse famoso por seus juristas, mas sim por suas dançarinas.
Esse “dançarinas” que o babacão italiano disse é uma referência às prostitutas, que eles vêm aqui e levam pra lá, enganando-as com uma provável riqueza. Mas é um cidadão mal informado, porque o Brasil é famoso TAMBÉM por seus juristas, porque o maior que já apareceu no mundo, foi o nosso Rui Barbosa, cujo talento chegou ao ponto de, na Conferência de Haia”, dizer:
- Em que língua quereis que eu fale?
Ele falava simplesmente TODAS. Ao sair do Brasil, o que lhe faltava aprender era árabe e ele aprendeu árabe durante a viagem até a Europa. Rui Barbosa, foi o jurista brasileiro que colocou na casa onde morava na cidade de Londres uma placa que dizia: “Ensina-se inglês aos ingleses”.
O deputado italiano insinuou que o Brasil é um pais que acobertou e “talvez ainda acoberte alguns nazistas”. Ora, mas ao que me consta não foi o Brasil quem se aliou à Alemanha nazista durante a guerra. O Brasil foi o pais que foi à Itália e deu couro nos italianos nas batalhas travadas em Monte Castelo e Montese, ou seja: em território italiano. O Brasil não foi o país que teve como imperadores Calígula, Nero e outros imbecis, como de fato acabaram sendo todos os demais imperadores de Roma. O Brasil é famoso por seu futebol, sua música, suas mulheres maravilhosas, seu clima, sua força. O Brasil é o pais de maior adiantamento em todos os tempos, tratando-se de um país situado em clima tropical. O Brasil é famoso por suas praias e seus juristas. O Brasil é famoso por nunca ter colocado uma prostituta na câmara, como fez a Itália, elegendo Cicciolina.
O Brasil deu asilo a este Battiste (eu até acho que erroneamente), mas deu asilo, também e principalmente, a um mundo de italianos famintos, vítimas das guerras em que se meteram e perderam, dando terras a eles para que conseguissem sobreviver. E quem foi que não nos deu o Cacciola? Não foi a Itália, pais desse deputado de merda? Não será o Battiste uma forra?
Eu tenho o maior respeito pelos italianos que moram no Brasil e sou grato à mão de obra que eles nos deram nos tempos do café e nos ajudaram a construir este pais maravilhoso que o Brasil é. Os italianos-brasilianos têm o meu respeito e o meu carinho, mas os que vivem na Itália são insuportáveis, porque se consideram melhores do que nós e nos diminuem, sempre que têm uma chance. Eu não os diminuo nunca, porque não acho que seja necessário: eles, por si mesmos já são mínimos.
Eu não poderia ser diplomata, porque ao ouvir o
que este bundão disse, eu botava o Corinthians em campo e fazia o cachorro latir. Mas coitado. Ele mora na Itália, um paisinho que é menor do que o estado de São Paulo e que vive do seu passado tenebroso.
É no Brasil que está o Rio de Janeiro, a maior cidade litorânea do mundo. Se há entre a Itália e o Brasil um pais que tenha futuro, este país é o Brasil, porque para a Itália sobra apenas o passado.
Nós estamos aqui, de braços abertos para os italianos da terceira idade que, por serem inteligentes, escolheram o Brasil para viver seus últimos anos de vida e hoje habitam no nordeste.
Não sei o que o meu amigo Celso Amorim fará, em resposta à infeliz frase do infame deputado, mas ele precisa ser espetado. Não sei como, mas uma porradinha ele tem que levar.
Só pra sacanear o distinto deputado: Jericoacoara é aqui.