sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Quando a sombra da culpa fica a minha frente...


Como sempre, tenho dificuldades para encontrar um tema para desenvolver. Acho isso curioso, rídiculo, não entendo. Mas o fato é que sempre peço a amigos para me darem temas e os sempre recebo com enorme apreço. Dessa vez alguém me falava de culpa, sentimentos, complexos. Resultado, acabou me dando um tema. Eu sempre que escrevo, evito ler sobre ou pegar informações. Gosto de falar por mim mesmo. E tenho certeza que quando alguém me dar um tema, quer saber o que eu penso. Puxa quanta honra! - Pois bem, depois de tantos textos já aqui escritos e tantos outros que não publico, ainda sinto que me policío no sentido de me proteger para não ser mal interpretado, mas acho que já chega, eu desisto, gosto de falar as coisas como elas são ou como penso que são. Formar conceitos e ter pressa para formá-los fez de mim um cara sem preconceito. Aliado ao exercício diário da compaixão, já me sinto mais a vontade de dizer sempre o que penso. Falar de Culpa é mais fácil do que não se sentir culpado por alguma coisa. A Culpa surge obedecendo às regras, normas e regulamentos de uma Sociedade Ocidental HIPÓCRITA e mentirosa. Tenho a oportunidade de acompanhar casais de jovens onde os dois se proibem de acharem outras pessoas bonitas. O Gianechinni tem que ser feio, o Fábio Jr horrível, a Carol Castro não pode parecer sensual, Regiane Alves tem que ser rídicula... Outro dia eu cantava uma canção chamada "Coração do Agreste", ninguém fez nenhuma observação quanto a minha má imitação vocal da Fafá de Belém, mas quando cantei a parte que dizia: "Da infância abriu-se um laço, nas mãos do homem que eu amei...", foi aquele "auê". Quer dizer, virei viado em dois segundos. Depois, dado o meu silêncio, veio um pedido de desculpa desnecessário e incoerente. Quer dizer, temos que tratar melhor nossas cabeças, pra não sermos vítimas de nossas irracionalidades cheias de ingredientes hipócritas e venenosos. Os desejos, os anseios, as fantasias, os medos, a obscuridade, a tensão, tudo isso tem duas faces. E tudo isso está presente na vida de todos nós. A culpa não é pra ser criada a partir da irracionalidade de quem quer que seja, inclusive de nós mesmos. Não é ninguém que nos puxa o tapete. Somos nós mesmos. Não há culpa quando existem fatos que nos implora libertação. Não é desonesto tentar manter chamas acesas, ver que o sol ainda brilha, tentar ser feliz. Pergunto porque cada próximo mais próximo de nós não se preocupa com isso. Há de fato uma entrega quase que total entre os casais? Há o mesmo tesão, vigor, disponibilidade? A peste nebulosa que anda hipocritamente de mãos dadas com as "boas aparências", é a peste do Costume. Os casais que dão "certo", que quase nunca brigam, são os casais que já quase viraram irmãos. Trocam a roupa ou permanecem nús um ao lado do outro, com a maior naturalidade. Isso não é regra, mas penso assim. Porque será que muitos relacionamentos se tornam mais apimentados depois de uma experiência extra conjugal? É porque os machos querem tratar as esposas como propriedades e elas não são isso. Machões, tratem suas mulheres como se fosse sua namorada. Coitadas, embora que hoje em dia as coisas estão mudando. Estão mandando culpas irracionais pra Puta que o pariu. Não estou aqui fazendo nenhuma apologia a nada. Nem estou em defesa de qualquer tipo de feminismo. Estou falando de culpas irracionais e um comportamento social hipócrita. Acho que o que conspira mais contra nós homens do sexo masculino, é a obrigação que cada um de nós acha que tem em honrar o rótulo de "Macho". Existem, e muitos, homens equilibrados, racionais, dedicados e também vítimas de culpas alheias. Para não ficarem perfeitos, ingerem as culpas alheias que somadas às suas viram um caos. Sem falar em sexo, penso que o mais importante é a demistificação dessa insolente que invade nossas frágeis cabeças com a intenção de tornar ainda menor nossa tão famigerada auto estima. O primeiro passo pra viver a vida como ela é, exige que ergamos o pescoço, levantemos o queixo e sigamos em frente. Mas se ainda assim não for o suficiente, e não é. Mude, tranforme-se e transforme sua vida. Seguindo adiante sempre com as mãos abertas pra que quando pessoas como eu, porventura estiver cambaleante de culpa, você possa me ajudar. hacs