terça-feira, 6 de maio de 2008

Jesus-A transformação moral do indíviduo

Jesus: a transformação moral do individuo.
Jesus não deixou nada escrito, e nada se escreveu sobre ele enquanto viveu. Nas gerações que se seguiram à sua morte, os historiadores romanos e judeus pouca atenção lhe dedicaram. Conseqüentemente, quase tudo que sabermos a respeito de Jesus vem do Novo Testamento, que foi escrito por seus discípulos, décadas depois de sua morte, com o objetivo de transmitir uma verdade religiosa e propagar uma fé. Os historiadores modernos submeteram o Novo Testamento a um exame critico e rigoroso, que possibilitou alguma compreensão sobre Jesus e suas crenças. A maior parte se refere a ele, no entanto, ainda permanece obscura.
Por volta dos 30 anos, influenciado sem duvida por João Batista, Jesus começou a pregar o advento do reino divino e a necessidade do arrependimento – de que as pessoas passassem por uma transformação moral para que pudessem entrar no reino dos céus. Para Jesus, o advento do reino era iminente; o processo que levaria a seu estabelecimento na terra já havia começado. Logo surgiria uma nova ordem, na qual Deus governaria seu povo com justiça e misericórdia. Por isso, o presente tinha para ele importância critica – era o momento do preparo e da penitencia espiritual -, pois os pensamentos, objetivos e atos do homem determinariam sua entrada ou não nesse reino. As pessoas deviam modificar radicalmente suas vidas, dizia ele, eliminando os sentimentos baixos, lúbricos, hostis e egoístas; deviam abandonar a busca de riqueza e de poder, purificar seus corações e mostrar seu amor por Deus e por seus semelhantes.
Embora não pretendesse afastar seus semelhantes da religião ancestral, Jesus preocupava-se com o judaísmo de sua época. Os rabinos ensinavam a regra de outro do Evangelho, bem como o amor e a misericórdia de Deus para seus filhos, mas parecia-lhe que essas considerações éticas estavam senso solapado por uma exagerada preocupação rabínica com o ritual, as restrições e as sutilezas da Lei. Jesus achava que o centro do judaísmo se transferira dos valores proféticos para a obediência às normas e proibições que controlavam os menores detalhes da vida cotidiana. Para os lideres judeus, naturalmente, as normas detalhadas que regulavam o comer, o lavar-se, a observância do sábado, as relações familiares, etc…, eram mandamento de Deus, destinados a santificar todas as atividades humanas. Na opinião de Jesus, essa visão rígida da lei deformava o significado dos ensinamentos proféticos. As regras visavam apenas ao comportamento aparente do homem sem penetrar em sua essência interior, nem provocar uma transformação moral. Era o intimo do homem que interessava a Jesus, que buscava provocar uma modificação interior. Com o fervor de um profeta, ele insistia na transformação moral do caráter humano pelo encontro direto do individuo com Deus.
Os escribas e sacerdotes judeus, guardiões da fé, consideravam Jesus como uma ameaça as tradições antigas; um agitador que questionava o respeito pelo Sabá. Em resumo, os lideres judeus achavam que Jesus colocava sua autoridade pessoal acima da Lei mosaica – o que, a seus olhos, era uma imperdoável blasfêmia. Para os romanos que governavam a Palestina, Jesus era um agitador político que poderia inflamar as expectativas messiânicas hebraicas, transformando-as numa revolta contra Roma. Quando os lideres judaicos o entregaram às autoridades romanas, o procurador romano, Pôncio Pilatos, condenou-o à morte na cruz – método comum de execução dos culpados por alta traição.
Alguns hebreus, acreditando que Jesus era um profeta inspirado ou mesmo o messias há muito esperado, tornaram-se seus seguidores. A época de sua morte, o cristianismo não era uma religião à parte, mas uma pequena seita hebraica com poucas perspectivas de sobrevivência. O que consolidou o movimento cristão e lhe deu forca foi à convicção dos seguidores de Jesus de que ele se levantara do tumulo no terceiro dia após seu enterro. A doutrina de ressurreição possibilitou a crença em Jesus como um deus-salvador, que viera a terra mostra o caminho dos céus.
Nos anos imediatamente seguintes à crucificação, a religião de Jesus limitou-se quase apenas aos judeus, que poderiam ser chamados, adequadamente, de judeus – cristãos. A palavra cristão vem do nome dado a Jesus: Cristo (o Ungido do Senhor, o Messias). Antes que o cristianismo pudesse compreender as implicações universais dos ensinamentos de Jesus e tornar-se uma religião mundial, tinha de libertar-se do ritual, da política e da cultura judaicas. Esse feito coube a um judeu helenizado, de nomes Saulo conhecido pelo mundo como São Paulo.